Cultura

*Condicionar a história como ciência é rastrear os povos, seus movimentos na sociedade diante de sua cultura nos espaços regionais deste imenso universo de acontecimentos do pensante ser humano como elemento da história. Como construtor da história o homem transita sobre o binômio aprender e ensinar de geração a geração em uma determinada região.

 

 

 

O planeta terra sempre esteve regionalizado, porém a valorização das regiões só se oficializou com a expansão do chamado mundo globalizado. Cabe então aqui o destaque da história regional e sua cultura, onde se encontram os grupos e suas etnias, as quais consideram pequenas, médias e grandes comunidades.

As diversidades culturais dentro das especificidades históricas estão sempre centralizadas nos espaços regionais entre os grupos que ali habitam. Ao entendermos a colonização do Brasil, buscamos sempre uma visão da Europa, pois nossos ancestrais imigrantes vieram deste continente para a América. As correntes migratórias cortaram o Atlântico e quando aqui chegaram começaram uma nova vida, mesmo com suor, lágrimas e sangue, desenvolveram suas culturas, criaram seus filhos, transformando as regiões e fazendo deste Brasil um a terra de todas as gentes.

Situações como esta mencionada, moveram a história da região sul do Brasil durante a colonização as quais duraram séculos. Encontramos documentos e memórias vivas de tarefas rumo ao tal desenvolvimento, tais como: andar dias por trilhas até chegar ao local onde nasceria a propriedade ou a posse da terra. Derrubar a mata, construir a sonhada casa, fazer a cerca de proteção, reunir e criar os animais, produzir a roça, preparar a horta, defender-se dos nativos, prepararem as armas para possíveis confrontos pela disputa do espaço em conquista. Além de tudo isso, ainda a conservação da cultura e da coragem pela sobrevivência.

Quando refletimos sobre a história de uma região ou de um povo em um determinado local, sempre encontramos os contrastes das diversificadas situações em diferentes épocas. Mas, de uma coisa temos a certeza; a Igreja condicionou e acompanhou muito mais seus fiéis que o Estado para com seus cidadãos. É claro que ainda hoje, as igrejas trabalham para resolverem situações sociais bem melhor que o Estado. Que nos digam as lideranças comunitárias ou os nossos ancestrais como os padres, pastores, tropeiros, parteiras, erveiros etc.

Cada comunidade, independente de idade ou tamanho, possui uma bela história construída por seus habitantes. Cabe então sua população mantê-la e zelar pelas ocorrências de suas épocas distintas. Pegamos o exemplo de Santa Cecília pequena, comunidade que nasceu na rota do tropeirismo, grupo que movimentou o transporte por muares durante a colonização das terras no sul do Brasil. Este fabuloso grupo, responsável pela abertura do comércio no Sul e pelo nascimento de inúmeras cidades, eles oficializaram nos anais da história do Brasil uma verdadeira saga de luta nas trilhas da conquista do progresso regional naquele período. Tal situação ficou marcada pela estrada da vida dos fatos que ainda hoje circundam as comunidades. Nota-se que as famílias aqui ficaram e na memória de seus descendentes a vitalidade histórica continua viva e enaltecendo a cultura de seus ancestrais.

Rever ou refletir sobre a história local é um ato de dignidade para com os que iniciaram a colonização numa determinada região como é a nossa região Contestada. Dos pioneiros até os dias atuais, as mudanças marcaram a evolução das etnias que aqui se instalaram. O longo período desta evolução é sinal de disputas e conquistas. Mais algo que não podemos deixar de lado foi a espécie de relação entre os nativos locais e os imigrante que se diziam civilizados diante da expulsão ameríndia que aqui habitava. Pertencente a nação guarani, estes povos da floresta possuíam um outro estilo de vida, uma outra cultura, gerando o que chamamos de choque cultural e a evasão indígena da região em disputa. Mesmo assim a miscigenação dos grupos europeus com os nativos é visível até hoje na fisionomia dos povos considerados  moderno. Este cruzamento fortaleceu os povos que hoje se encontram na região dos quais somos parte. Aqui podemos analisar então que a ampliação cultural foi enorme e que alguns costumes convivem conosco até os dias atuais.

 

 

 

Santa Cecília é uma comunidade privilegiadíssima em relação a cultura e seus grupos étnicos, ela está incluída no que já falamos aqui " terra de todas as gentes". O que precisamos mesmo é sempre usar o espírito de observação em nossas convivências sociais e culturais. Muitos pesquisadores e especialmente os historiadores se utilizam da observação dos grupos regionais para seus trabalhos no campo das ciências. Enquanto isso há uma enorme necessidade dos cidadãos se preocuparem com sua história, mas, isso não vem acontecendo nas comunidades, são raros os que procuram proteger tanto a história como a cultura, tal situação fica nas mãos das instituições de ensino que sem apoio dos órgãos governamentais pouco conseguem fazer para manter a história e a cultura regional viva entre os povos.

            Entendemos ser fundamental a reconstituição da história e da memória dos nossos ancestrais os quais fortificaram o pioneirismo da região onde vivemos, construíram nossa comunidade e hoje já silenciaram, ficando apenas na história. É certo que hoje somos a sociedade da informação sem reflexão, da técnica sem responsabilidade, do acumulo de dinheiro para o consumismo, onde o tempo anda rápido e os objetos perdem o significado e a vida desaparece mais depressa ainda.

            É nesse sentido que a ampliação dos estudos em resgatar o passado dos que já se foram e deixaram um legado convincente de cultura e trabalho para nós, merecem uma dignidade de respeito e memória pelo que fizeram num passado de lutas e conquistas em prol de um futuro promissor das gerações que por aqui vão trilhando pelos caminhos da história.

*Pedro Alves de Oliveira, Professor, Mestre em História  Regional pela Universidade de Passo Fundo.

 

A região onde está Santa Cecília, o planalto serrano catarinense, é a região mais fria do país, onde normalmente geia e algumas vezes neva, mesmo que em alguns poucos dias. O frio é tanto que até as cachoeiras congelam, árvores e outras plantas ficam cobertas de branco num espetáculo de beleza ímpar.

A localidade de Corisco (Santa Cecília), era ponto de parada dos tropeiros que levavam e traziam gado entre Rio Grande do Sul e São Paulo, desde a segunda metade do século XVII, por isso características gaúchas são tão marcantes em toda a serra, como o hábito de tomar chimarrão, o churrasco e a mesa sempre farta com delícias coloniais.

Como o eixo do tropeirismo era especialmente Viamão no Rio Grande do Sul e Sorocaba, em São Paulo, são notáveis, também, as influências paulistas nos costumes do povo ceciliense, tais como a alimentação derivada da farinha, tábém influenciada pelos indios locais, e o sotaque do ceciliense que claramente mistura o gaúcho com o interior paulista que carrega bastante na pronúncia da letra R, bem como, comete algumas discordâncias entre singular e plural. Outro traço paulista que herdamos são as manifestações juninas dos santos católicos, infiltrados no Brasil pelos portugueses, de quem também descendiam muitos tropeiros paulistas.

É comum a ocorrência de festas onde o prato principal é o churrasco, sendo que, tradicionalmente, aos domingos esse prato tipicamente sulino é apreciado por boa parte das famílias. As atividades ligadas ao campo influenciaram a cultura local bem ao modo gaúcho. O trabalho do homem campeiro, o cavalo, o frio, enfim, o tropeirismo e a cultura gaúcha são os mais fortes traços de influência nos costumes locais.

 

 

 

Hoje com as culturas de massa os costumes do povo ceciliense passam por um lento processo de expansão, mais perceptível nas novas tendências culturais, nas tendências de vestuário, mas no âmago do povo ainda é possível notar-se que nos hábitos diários as raízes campeiras ainda são notáveis, seja no linguajar, nos eventos, na alimentação etc.... Visando preservar a cultura serrana o Portal Ceciliense elaborou um pequeno dicionário que bem expressa a riqueza da nossa cultura.

 

“Pequeno Dicionário informal de termos e frases da Serra Catarinense”.

É curioso notar que, por ser ponto de passagem dos antigos tropeiros gaúchos e paulistas, o vocabulário na região de Santa Cecília-SC, tem a forte influência dessas linguagens. A força do sotaque gaúcho com seus traços hispânicos, e o jeito “caipira” do paulista interiorano, com suas heranças indígenas e portuguesas. Graças ao tropeirismo nosso vocabulário ganhou essa interessante mistura, bastante peculiar da qual citamos alguns exemplos de palavras e frases a seguir:

Abrir cancha: Abrir espaço para alguém passar.

Achego: Amparo, encosto, proteção.

Agregado: Pessoa pobre que se estabelece em terras alheias, com autorização do respectivo dono, sem pagar arrendamento, mas com determinadas obrigações, como cuidar dos rebanhos, ajudar nas lidas de campo e executar outros trabalhos.

Água-de-cheiro: perfume, extrato

Aleijada: mulher de belos atributos físicos

Anca: quarto traseiro dos quadrúpedes, Garupa do cavalo, O traseiro do vacum

Arapuca: armadilha para pegar passarinhos; trapaça

Ásssssss: compressão da expressão "Nossa!" que indica surpresa ou espanto

Atochar: mentir

Atorar: cortar, atalhar

Atucanado: atarefado, atrapalhado, confuso, irritadiço

Bagual: cavalo manso que se tornou selvagem. Reprodutor, animal não castrado. Também indica admiração

Baita: grande

Barda: o mesmo que balde, no sentido de "de balde"- preguiça, falta de vontade ou mau costume

Bardoso: aquele que tem "barda" - mau acostumado, preguiçoso

Bem capaz: negação enfática, ou sinal de dúvida

Bicheira: Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras - Também, mais atualmente, indica carro velho ou em mau estado

Bijú: farinha derivada do milho

Buenas: quer dizer bem ou boa, usa-se também como saudação

Cabresto: Peça de couro que é apresilhada ao buçal para segurar o cavalo ou o muar - usado também para indicar obediência aos mandos de alguém

Cachaço: Porco não castrado

Cagar a pau ou cagar de pau: surra forte, bater demais em alguém.

Camaçada de pau: surra, coça, agressão física.

Campiá: vem de campear, sair a campo, procurar, sair em busca de algo

Capaz: indica dúvida ou surpresa

Capão: pequeno mato isolado no meio do campo

Carque ficha: faça, execute

Catimbar: vem do termo cachimbar - desprezar, fazer pouco, ironizar, ridicularizar, apequenar

China: mulher, descendente ou mulher de índio, ou pessoa de sexo feminino que apresenta alguns dos traços característicos étnicos das mulheres indígenas; cabloca, mulher morena; mulher de vida fácil; esposa

Chumaço: maço, ou conjunto de alguma coisa

Crendiospai: contração de Creio em Deus Pai - expressa surpresa

Cuiudo o mesmo que Colhudo: Cavalo inteiro, não castrado. Pastor. Figuradamente, diz-se do sujeito valente, que enfrenta o perigo, que agüenta o repuxo

Cupincha: Companheiro, amigo, comparsa

De cum força: Com força - chutei "de cum força"

Dei cos peito no arame: me dei mal, dei com os burros n'agua

Dente frôxo, dente ralo e saci: o diabo

De jaoje: hoje

De lambê os beiço: expressão para elogiar um bom prato

De revesgueio: de um tal jeito, que ricocheteia. que pega por tabela, que sai torto ou enviesado.

De sartá butiá do borso (de saltar butiá do bolso): aplica-se quando uma coisa ou ação são muito intensas tipo: dancei de sartá butiá do borso ou frio de sartá butiá do borso -  Butiá é o fruto pequeno e levemente azedo do Butieiro, planta comum na Serra Catarinense.

De varde: o mesmo que "de balde" - vadiando, fazendo nada

De vereda: Imediatamente, de momento, de uma vez

Desacorçoado: triste, desanimado

Do tempo que enxó tinha bainha: expressão para coisa muito antiga, do tempo que o enxó (instrumento para desbastar tábuas), tinha bainha, (capa para guardá-lo)

Ele é fria, ele chove: relato que o tempo ou que o dia está frio ou que está pra chuva

Encarangado: sujeito com o corpo endurecido pelo frio

Entrevero: Mistura, desordem, briga, confusão de pessoas, animais ou objetos, prato típico a base de pinhões (semente do pinheiro/araucária)

É de gastar o taco da bota: expressão de quando o indivíduo andou ou dançou bastante

É pacabá cas paia boa: é pra acabar com as palhas boas - designa indignação ou inconformismo

É só lavá!: vem do costume de lavar o corpo do falecido antes de enterrá-lo, indica indignação, o mesmo que a expressão "ninguém merece"

Esgualepado: quebrado, cansado, destruído, em mau estado

Estropiado: Diz-se o animal sentido dos cascos, com dificuldade de andar, em conseqüência de marchas por estradas pedregosas - aplica-se também ao sujeito cansado, desanimado, judiado.

Estrovar: quer dizer estorvar

Facada: preço alto.

Ficar c'os óio que é uma bulica: assustar-se

Frio de Renguiá Cusco: frio de deixar o cavalo rengo, ou seja, frio de deixar o cavalo coxeando,  mancando

Fuépe: rapaz efeminado

Fumo, imo e vortemo: o mesmo que fomos, vamos e voltamos

Funda: Estilingue, bodoque, cetra.  

Galpão: Construção existente nas estâncias, destinadas ao abrigo de homens e de animais 

Gaudério: Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros

Gia: o mesmo que geia, de geada - "será que gia?" quando o correto seria "será que geia?"

Graxaim: Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas. Sai, geralmente, à noite.

Guaiaca: Cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos.

Guapo: Forte, vigoroso, valente, bravo.

Guapeca ou Guaipeca: cachorro magro e sem raça, cachorro de rua, vira-lata

Invernada: Grande extensão de campo cercado

Inviazado: o mesmo que enviesado, torto ou oblíquo

Jururu: Cabisbaixo, tristonho, abatido

Lagartear: sair, passear, expôr-se ao sol

Mangueira: Grande curral construído de pedra ou de madeira

Me caiu os braço: indica grande decepção

Mas credo!: resposta a uma afronta

Me nego, Mescapo, Xulispa, Sarte loco, Limpas, To por trás e Epa viado: expressões de resposta à frases maliciosas de duplo sentido

Me pule: sentido de venha brigar! venha pra porrada!

Me repuna: desprezo por coisa ou pessoa

Minhazarma!: expressão de surpresa ou indignação

Não fróxe: algo como não afrouxe, não desista, lute, não se entregue.

Não me aléje: expressa desapontamento com ação fracassada

Não se meta a jacú sem rabo: não faça o que não sabe

Negaciá ou Bombiá: observar, espiar

Neve derretida: termo usado para as chuvas geladas dos dias muito frios

O tipo do jeito: quando se estranha a atitude de alguém

Palanque: Esteio grosso e forte cravado no chão

Pataço: chute ou soco muito forte

Peçuelo: peçuelos, espécie de alforjes, ou malas de couro para carregar utensílios na garupa do cavalo.

Peleia: peleja, luta, trabalho, empreitada, briga

Peral ou Grota: penhasco, buraco, queda ou grande desnível do solo

Petiço: Cavalo pequeno, curto, baixo

Pexada: batida, encontro acidental e violento de carros e pessoas

Piá: Menino, guri, caboclinho

Piá de bosta: termo para designar o sujeito que é considerado um nada, um inútil, um coitado

Pinxar: jogar fora

Piriga: o mesmo que risco ou chance de algo acontecer, ex: será que neva? Piriga

Poncho: Espécie de capa de pano de lã

Prosa / Prosiá: conversa / conversar

Quedelhe? o mesmo que cadê? - questionamento sobre onde está tal pessoa ou coisa?

Mas porquiera? ou mazoquiera? questionamento - Por que? E o que?

Queixo-Duro: Cavalo que não obedece facilmente a ação das rédeas; pessoa teimosa

Quera: designa o sujeito, o homem, gaúcho ou gaudério

Regalo: Presente, brinde

Relho ou reio: Chicote com cabo de madeira e açoiteira de tranças semelhantes a de laço, com um pedaço de guasca na ponta

Sair fedendo, sair zunindo, fazer um risco: Fugir em disparada

Sanga: Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio

Se astreva: se atreva, atreva-se

Se atraque: execute, faça algo, comece, aja.

Se fazer de porco pra mamar deitado: se fazer de bobo ou inocente com vistas a tirar proveito.

Se fincar: agir, fazer algo, ir a algum lugar

Selin: Sela própria para uso da mulher

Se pinxe: algo como: saia daí!

Surungo: Arrasta pé, baile de baixa classe, caroço

Taipa: cerca de pedra, na região serrana; tapado, burro, ignorante

Talagaço: Pancada com tala (ex: talagaço de adaga, fig: levou um talagaço da vida

Talho ou taio: Corte, ferimento

Tapera: Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas

Traque fora: jogue fora!

Trechá: andar um trecho

Tropeiro: Condutor de tropas, de gado, de éguas, de mulas, ou de cargueiros. Pessoa que se ocupa em comprar e vender tropas de gado, de éguas ou de mulas. Peão que ajuda a conduzir a tropa, que tem por profissão ajudar a conduzir tropas. O trabalho do tropeiro é um dos mais ásperos, pois além das dificuldades normais da lida com o gado, é feito ao relento, dia e noite, com chuva, com neve, com minuano, com soalheiras inclementes, exigindo sempre dedicação integral de quem o realiza.

Varar: Atravessar, cruzar

Vareio: Susto, sova, surra, repreensão

Venha Vindo: expressa desconfiança

Vivente: Pessoa, criatura, indivíduo

Ximbão: chute forte

Xucro: Diz-se do animal ainda não domado, bravio, arisco, designa também o sujeito bravo e pouco instruído

Zunir: Ir apressadamente, sair rápido, "saí zunindo" soar, fazer barulho.

 

Religiosidade

Quanto à religião do povo ceciliense, é importante destacar que Santa Cecília pertencia a Paróquia de Curitibanos, sob a direção dos Reverendos Srs. Padres Franciscanos que, por tantos anos, com a dedicação e sacrifícios assistiram a esses fiéis, até o dia 18 de março de 1959, data em que Dom Daniel Hostin, Bispo Diocesano de Lages, por Decreto, criou a Paróquia de Santa Cecília, sendo que a maioria da população era católica.

A igreja Católica participou ativamente da consolidação do município de Santa Cecília, tendo ajudado de forma constante e presente na socialização, interação e convívio de nossas famílias, que, também através da igreja reforçaram seus laços, construindo uma comunidade, um ente político e social que hoje se apresenta como o município de Santa Cecília.

 

 

Primeira Igreja Matriz de Santa Cecília. (foto cedida por José Eloi Goetten - acervo pessoal).

 

Hoje outras religiões, estão presentes no município, tais como: a Assembléia de Deus, Testemunhas de Jeová, Deus e Amor, Pentecostal, Mórmons, Adventistas, entre outras.

 

Lendas

Negrinho do Pastoreio

É uma lenda meio africana meio cristã, conhecida nacionalmente. Muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil. Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros recém-comprados.

No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. ''Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece'', disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo. Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto.

 

 

O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.

Apesar de se tratar de uma lenda nacional,com várias versões, em Santa Cecília, a devoção ao negrinho deve ser notada, pois a ele se ergueu uma capela onde as pessoa vão, fazem pedidos, e oram por ele. Se você não conhece a capela, fica a uns 4 km do cemitério municipal de Santa Cecília.Trata-se de uma casinha muito rústica toda em madeira, com a imagem dele e várias oferendas deixadas em agradecimento a suas graças, a princípio nada de especial, mas o clima dentro dela tem algo diferente,o local tem um silêncio sepulcral, que só é quebrado pelo vento que sopra nos vãos da parede do casebre, dando uma sensação no mínimo "curiosa".

 

O baú de ouro do Rio Correntes

 

 

 

Outra lenda conta que um rio que passa nestas terras esconde um baú com ouro. Segundo antigos moradores, no século XVIII, vieram centenas de garimpeiros, de várias partes do estado, à procura do tesouro. Outra versão faz referência a uma caixa de cabedal que seria, ela própria de ouro. O tesouro teria sido deixado pelos padres jesuítas que passaram na região durante suas missões de catequizar os índios. A suposta lenda é tão forte, que as correntes que aparecem envolvendo um baú no brasão do município de Santa Cecília, se referem à esta lenda.

 

O Gritador

 

 

 

Conta a lenda, que um jovem muito maldoso que gostava de judiar dos animais era possuidor de um cavalo, no qual andava o dia inteiro, em disparada. Não o tratava como devia, nem ao menos dava-lhe água. Á noite deixava o pobre animal preso com uma corda curta, impedindo-o de escapar. Sua mãe, vendo o animal ser surrado e maltratado, o que em pouco tempo o levaria à morte, esperou que seu filho dormisse e foi cuidar do cavalo. Após dar-lhe comida e água soltou a corda, permitindo desta forma, a sua fuga.

No outro dia, quando o jovem acordou, procurou o animal, não o encontrando. Ao descobrir o que havia ocorrido, amarrou sua mãe, encilhou-a e montou, esporeando-a de tal forma que a fez chorar de dor. A mãe rogou uma praga ao filho: ele haveria de gritar de dor, mesmo após a morte. Na mesma noite em que o homem morreu, todos os moradores dos arredores ouviram gritos vindos dos abismos, alguns dizem que seus gritos ecoam até hoje nos vales da Serra do Espigão.

 

A Noiva da Serra

 

 

 

Várias pessoas dizem que viram uma noiva na Serra do Espigão. Segundo a lenda uma jovem se casa com um caminhoneiro e após a festa do casamento, os noivos saem para a lua de mel com o caminhão e se acidentam bem na Serra do Espigão, onde morrem os dois. Dizem que a noiva até hoje atormenta os caminhoneiros que ali trafegam à noite, surge do nada nas curvas, passa correndo na frente dos carros, observa atentamente dos acostamentos da estrada e corre novamente pra dentro da mata, dizem alguns relatos que o fantasma da noiva observa o motorista pela janela lateral do caminhão, e em alguns casos entra nos caminhões a procura de seu marido. Dizem que quando ocorre um acidente na Serra do Espigão, geralmente foi provocado pelo susto do motorista que avistou a noiva.

 

Santa Cruz

 

 

 

Quem não conhece a Santa Cruz, aquela mesma, que está em uma capela de pedra e que tem a festa religiosa todo ano. Pois é, dizem os "antigos" que ali naquele mesmo lugar onde está a cruz, havia uma capela de madeira, bem rústica, com bancos de tábua fixados nas paredes, onde as pessoas se reuniam para rezar. Dizem que a cruz, apesar do simbolismo religioso, trazia uma maldição à cidade de Santa Cecília, que desde quando teve esta cruz fincada em seu chão nada mais ali vingou ou teve êxito. Conta-se também que em determinada época a cruz começou a crescer, o que fez com que o telhado da antiga capela fosse rompido pelo seu crescimento. Com medo da maldição também crescer, a comunidade resolveu cortar a cruz até que ela voltasse ao tamanho original e construiu uma capela de pedra, onde a cruz foi encravada, o que até hoje, impede que ela volte a crescer.

 

 

Fantasmas no Irmã Irene

Pois é, quem diria, mas os alunos do Irmã Irene têm algo mais assustador que as provas finais para temerem. Não é de hoje que muitas pessoas contam sobre alguns eventos estranhos no interior da escola.Certa pessoa que trabalhou lá muito tempo, diz que jura ter visto várias vezes alguém caminhando no pátio da escola em plena madrugada, e que esse alguém, derrepente, sumia, sem mais nem menos.

 

 

 

Há também relatos da época em que se usava a famosa sinetinha pra soar o sinal, dizem que ela, não raras vezes, batia em altas horas da madruga, quando não havia ninguém por lá. Sem contar os objetos que caíam na cozinha, as salas trancadas por dentro sem ninguém, chaves desaparecidas, carteiras desarrumadas após as serventes terem organizado, passos no telhado e até mesmo um misterioso fogo no fogão da antiga cozinha que já estava feito quando o colégio era aberto nas primeiras horas da manhã.

 

 

O lobisomem

Ouviu-se por anos a fio uma estória sobre o lobisomem de Santa Cecilia, que morava na atual Av . Nakayama. Diziam que uma pessoa que morava ali era o tal de lobisomem e que nas noites de quaresma haviam terrores, tormentos, uivos e arranhões nas paredes das casas. Sempre tinha alguém que sabia, de uma vizinha, ou de um conhecido que teve seu cachorro mordido pelo tal. E diziam que na dúvida era só ir na casa do próprio e olhar seus cotovelos que estavam sempre escamando.

 

 

 

Curiosidades, pessoas, fatos e lugares

O primeiro prefeito eleito do município. Pessoa muito importante para o desenvelvimento do que conhecemos hoje por Santa Cecília! Oréstio José de Souza.

Oréstio foi o primeiro prefeito eleito, porque a cadeira foi ocupada primeiramente pelo prefeito nomeado, Sr. Antonio Granemann de Souza.

Juvenal Barbosa, o Pirupá, militar reformado da II guerra mundial, que ficou com problemas mentais depois da guerra, foi figura folclórica em nossa cidade e hoje virou nome de rua.

Ela ficou na história de Santa Cecília como a primeira professora a lecionar no lugar, hoje seu nome batiza o CIDEM - Cancianila Arbegaus.

Crayse, andarilho que gritava, inclusive nas madrugadas, palavras em inglês e frases filosóficas, mexendo com os populares, dentre seus bordões mais famosos citamos a frase: "Tamon, eu também sou samurai!" No seu violão, adorava tocar a música "Derrepente Califórnia" de Lulu Santos e "Me dê motivo" de Tim Maia.

Garrincha, figura magrinha, baixinho que aterrorizou a infância de muitas meninas, todas temiam um ataque do Garrincha.

Pedro Areia, torcedor do Flamengo, outra figura folclórica de Santa.


José Baltazar de Souza, foi um dos primeiros professores volantes da nossa região, digno de nossa memória.

Manoel Mariano Gaudêncio contribuiu muito para o progresso de nossa região, fornecendo alimentação e condições aos empreiteiros no momento da construção da Ferrovia e também da Rodovia as quais cortaram a nossa Região. Foi juntamente com seus filhos que desbravou os campos com a criação de Gado e derrubou a mata para fazer a plantação. Foram roças e produção de grãos que deram o sustento para a região que recebia os operários das construções e migrantes que por aqui passavam ou vinha para morar. Negociava e buscava produtos longinquamente, dando condições ao comercio local e regional.Foi um tropeiro que fixou residência na comunidade. Comprava porcos, bois, cavalos e negociava ao Norte com o pessoal do Paraná e São Paulo e ao Sul com o pessoal do Rio Grande do Sul, especialmente com os Frigoríficos e outros tropeiros.

Dr. Valdomiro Simões de Almeida foi o primeiro juiz da Comarca de SANTA CECÍLIA, instalada em 1966.

O primeiro promotor foi o DR. Ivan Dolberth que assumiu em junho/julho do mesmo ano, ficando por curto espaço de tempo, voltando para a comarca de Santa Cecília onde permaneceu até meados de 1979 na referida função.

Dr. Rene, boliviano, médico que adotou Santa Cecília no coração, foi muito tempo o único médico da cidade, nunca teve hora para acudir um paciente, um médico que tem muitos afiliados espalhados pela cidade Dona Maria Inacia que morava onde hoje é a Farmácia Santa Cecília era a parteira e benzedeira das antigas aqui, não tinha médico, e todo mundo corria pra ela. Criou muitos netos aqui.

Dona Julia Ainda, nossa querida dona Julia quem nunca se benzeu com ela? As nossas mães corriam levar pra D. Julia, figura marcante em nossa cidade.

Walmor Adelmo Ely, o prefeito que urbanizou Santa Cecília e deixou seu marco no desenvolvimento da cidade.

"Chupa bico" da Paiol, e João Rosário da Cruz, figura também folclórica e muito lembrada,  que odiava ser chamado de João Maria.

Dona Cátia que morava ao lado do Salão Paroquial é também uma pessoa muito lembrada por todos.

Padre Germano, foi uma pessoa que muito ajudou no progresso ceciliense, por exemplo, a energia elétrica, gerada na época por um motor a Diesel, que ficava próximo ao atual Mercado Nova Cidade, foi ele quem viabilizou. A energia era fornecida só até as 10 da noite. Próximo do horário do fim do fornecimento, a luz era apagada por duas vezes, servindo de sinal para que na próxima "piscada" a luz não voltasse, retornando só no dia seguinte. O cinema foi ele quem viabilizou também, o 1º filme que passou em Santa Cecília foi projetado em um lençol.

As boas bandas de baile de Santa Cecília sacudiram o estado de Santa Catarina nos anos 80, entre elas Santarem e Santana. Logo em seguida os anos 90, a Stado de Choque foi a primeira banda de rock da cidade.

Nos idos dos anos 60, um fato curioso ocorreu em Santa Cecília. Era uma tarde de sol, tranqüila na pacata cidade, quando toda a população foi surpreendida por um fortíssimo estrondo. Todos se assustaram com o barulho, a nada comparável, estremecendo as moradias, derrubando coisas dentro das casas, e assustando a todos. Muito mais forte que um trovão, muito mais forte que uma bomba, ou que a queda de um avião. O fato é que o barulho ocorreu, e segundo relatos, veio do sentido leste, mais ou menos na direção do Ubatã, no entanto nada nunca foi encontrado ou comentado como a causa do dito estrondo. Um fato curioso e sem explicação concreta. Muita gente daquela época lembra do fato, no entanto não sabe explicar o que aconteceu. Mistério.

Existe um relato do Sr. Nenê Amaro, sobre a fase do banditismo na Guerra do Contestado, em uma das invasões dos "jagunços" à Santa Cecília, na época "Corisco", em que o famoso Adeodato e seu grupo, assassinaram sua mãe, que após ser morta, teve seu corpo dilacerado. Ela estava em estado adiantado de gestação, a criança foi retirada de seu ventre, jogada pra cima, e amparada na ponta de um faca. Um relato amargo da triste fase do banditismo, onde a ignorância dos fanáticos, aliada ao desespero do fim da guerra perdida , resultaram numa violência sem precedentes nessa região.

Banco Mercantil e Industrial de Santa Catarina S/A e Bamerindus - Este foi o primeiro banco a se instalar na cidade de Santa Cecília,a Agência foi inaugurada no dia 20 de abril de 1965, era composto pelo gerente Alcides Moraes e Silva Neto, pelo contador, Osmar de Almeida Garret e pelo funcionário Olair Klemtz sendo que na semana seguinte à inauguração ingressou como funcionário o Sr. Edson Wellington dos Santos.

Auto Pinheiro Ltda, foi uma revendedora da marca Wolkswagen que havia em Santa, aliás a primeira, entre os anos 60 e 70, de propriedade do Senhor Domigos Kampfert.

Clubes Guarani e 1° de Janeiro foram os primeiros clubes de entretenimento da cidade.

 

Artes

Na cidade ainda não são muito valorizadas as manifestações artísticas, especialmente no que diz respeito às artes cênicas e literatura, em que pese ser a cidade bastante musical, com inúmeros cantores e músicos, e já haver algumas pessoas adentrando no campo da literatura e das artes cênicas, há também belos trabalhos no campo da pintura e do entalhe em madeira, principal produto ceciliense.

O Portal Ceciliense colacionou alguns textos, obras e referências da cultura ceciliense a seguir expostos:

 

Trabalhos do artesão Edson W. dos Santos (Bijú)

 

 
 

 

Livro “História da família Granemann” por Diego Rogério Goetten;

No dia 18 de julho de 2009, em Santa Cecília-SC, no Clube Carrapicho, clube fundado pela família Granemann, aproximadamente 300  pessoas prestigiaram o lançamento do livro “História da Família Granemann”, dos autores Floresnal Granemann, Jandira Granemann Ribeiro e Maria Aparecida Granemann José .

 

 

 

Uma iniciativa pioneira em Santa Cecília-SC no que diz respeito ao resgate histórico compilado em livro de uma única família colonizadora de Santa Cecília. “A História da Família Granemann” conta a saga da família desde a chegada de Henrique Granemann o desenvolvimento e evolução de seus descendentes até os dias atuais. Alguns registros históricos dão conta que Henrique chegou ao Brasil em 1828, vindo da cidade de Trier na Alemanha, segundo a co-escritora Maria Aparecida, o imigrante alemão chegou ao Rio de Janeiro em outubro daquele ano, logo partindo para Santos SP, fixando, em seguida, residência em Rio Negro no Paraná .

Foram 17 anos de pesquisas realizadas em várias cidades, restando, ainda, viajar até a cidade de origem da família, ainda não conhecida, para aprofundar as pesquisas.Vale lembrar que Trier era um lugar de concentração para colonos que desejavam emigrar para o Brasil e não necessariamente sua cidade de origem. Os autores contam que muitos dos alemães daquele período tinham inúmeras razões para enfrentar a travessia do oceano atlântico em embarcações rústicas, até precárias, e sem conforto. 

As condições sócio-econômicas e o momento histórico de recuperação das batalhas militares contra o exercito de Napoleão, que empobreceu a região foi determinante. 

A revolução industrial ceifou as condições de trabalho, principalmente dos trabalhadores manuais, como camponeses e artesãos, que naquele momento histórico não estavam preparados para competir com as máquinas. Sem trabalho, a  opção mais viável foi a emigração, na qual se incluiu a família Granemann, que atravessou o atlântico, aportou no Brasil, rumou ao sul e fixou-se de maneira definitiva na história de Santa Cecília.

“Escrevi em parceria com meus irmãos um livro para quem gosta de história, a obra compila informações importantes sobre a colonização alemã no Brasil” garante Maria Aparecida.

A obra, apesar do caráter não científico, é um importante documento de registro dos passos da família Granemann no decorrer de sua história, e da história de Santa Cecília-SC.

 

Conto “O estranho destino de Jurema Matungo”, por José Jacó Moreira dos Santos;

Nos primeiros dias glaciais de julho nasceu Jurema. Era pequena e languida, caberia quase inteira na mão do pai se o protesto do povo não o tivesse levado a ponta pés e injúrias. Tonhão era um mulato grande e ossudo. Na vila havia deixado a lembrança de sua virilidade incomum e as muitas dívidas nos bares e prostíbulos circunvizinhos. A mãe, brotinho, criança provocante, dezesseis anos de lívida inocência, era uma adolescente de gênio transparente, cujo corpo esquálido cheio de curvas refletia uma beleza que parecia mentira. Permaneceu virgem até o dia em que o mulato Tonhão aparecera em sua porta impregnado de odores e exibindo peito de penugem crespa. Resistiu como pôde as investiduras do malandro, recorreu a orações, proferiu gritos e impropérios que atiçaram a curiosidade da vizinhança.

O plano havia sido calculado com precisão cirúrgica e executado quando os pais da jovem estivessem enforcando pragas na roça. Mulato Tonhão depois de conjurar todas as artimanhas inventadas pelo homem, de entreter a menina com doces e histórias para boi dormir, agarrou-a como um lobo faminto e a depenou das vestes como um passarinho. Jurema Matungo foi fruto deste pecado carnal. A mãe recorreu a todas as artes mágicas de monges barbudos que escrevinhavam em cadernetas ou as consultavam para curar a moléstia do espírito. O objetivo de expulsar o feto de seu ventre era uma empresa confabulada para lavar a honra da família e arrebatar o perdão do pai. O fracasso foi iminente.

No dia do nascimento, um aguaceiro bíblico despencou e trovoadas rolaram furiosas agitando janelas e espantando animais. O mundo está desabando, dizia a avó, Esta criança é filha do demônio, apregoava a mãe em suor e lamúria, Vejam se tem cascos de cavalo, replicava a avó, É um milagre, pois está viva e chorando, assinalou a parteira, Será puta como a mãe se tiver saúde, concluiu o avô. De todos os prognósticos e constatações ditados naquele dia, nenhum pareceu menos absurdo do que as palavras da parteira. De fato um milagre ou intervenção demoníaca havia selado o destino de Jurema.

A parteira juntou algum sal na cozinha de taquara e moldou uma cruz no canto do fogão de modo a espantar a tempestade. Revirou a casa numa busca inútil de encontrar um demônio do lar e fez um passeio minucioso sob a pele plácida da mãe para encontrar feridas delituosas. Depois de chamuscar a erva da palha emporcalhada e tragar algumas vezes, sentenciou com voz imperiosa que o nascimento havia sido um milagre e a
menina ficaria sob seus cuidados até segunda ordem.

A comunidade recebeu com alarde a nova vivente cujo tamanho do corpo era paupérrimo. Todos repetiam e aumentavam as falácias mágicas da família e creditavam o acontecimento como um projeto do demônio de arrebatar mais fiéis sob instrumento da parteira. Certa noite uma comitiva de oito homens armados a pau e pedra incorreu pelas araucárias com intento de atear fogo à casa da curandeira. Encontraram-na pela varanda tragando desta vez um cachimbo. Vestia uns trapos anacrônicos, sujos e encardidos de mucosidades de mulheres e rebentos. A cabeleira branca e solta desconhecia água e lembrava muito um ninho de sabiá.

 

 

 

Um dos homens, o de nariz acanalado declarou hesitante, Deixe a criança e a casa e vá para o diabo que te carregue bruxa. A mulher tragou o cachimbo e os seus olhos diáfanos refletiram uma paz perturbadora. Antes de me perder nesse fim de mundo, disse em meio à fumaraça, Fui puta rameira dos cabarés da capital. Muitos homens por mim perderam o juízo e o pinto. Então se não me deixarem em paz rogo uma praga tão obstinada que mulher alguma conseguirá animá-los. Palavras não foram ditas e um choro de criança infestou o ar e espantou para sempre os.
homens que fugiam desordenados em busca do calor de suas camas.

O povoado ralo dividiu-se em conjeturas equivocadas acerca da parteira. Uns acreditavam que era de boa índole, pois havia administrado com precisão o nascimento da maioria dos rebentos do povoado; outros acreditavam que era um lobo em pele de cordeiro e que tinha dado início a sua maquinaria infernal naquela tarde remota do nascimento da Jurema em práticas satânicas, sacrifícios de animais e fumarada. O fato é que desde essa tarde remota, nenhum ser humano se atrevera jamais a procurar novamente os conselhos ou serviços da curandeira.

Quatorze anos, cinco meses e dezesseis dias se passaram desde o dia em que os oito pais de família regressaram da floresta de araucária derrotados pelos trejeitos infernais da bruxa. O Corisco era um povoado simples, pequeno e habitado por peões acaboclados que prestavam serviços aos patrões da região. Estes divisavam com seus peões um ralo campo de pastagens, alguma roça aqui, uma floresta de araucária acolá, adiante um rio mal assombrado e por fim a estrada dos tropeiros. O povoado era composto por trinta e quatro casas de madeira e barro e uma
igreja cujo padre narrava as peripécias de cristo em latim e catequizava bugres.

Numa localidade circunvizinha que muitos anos depois seria chamada Santa Maria morava um casal de agricultores vindo do outro lado do atlântico. No dia doze do mês de novembro, numa manhã de estiada, Anton saíra para buscar sua irmã de quinze anos. Anette costumava acordar furtivamente pela madrugada ainda noturna para esfregar sua infâmia pela geada dos campos e diminuir o fogo das entranhas. Não havendo geada pela preeminência das chuvas acidentalmente ficou plantada no lamaçal da estrada. Os bugres saltaram das extremidades tentaculares da mata e colheram o broto que ali estava por nascer. Mais tarde, Anton haveria de encontrar o vestido e as ceroulas que restaram da irmã que fora ter com os bugres. O povo havia esquecido a filha do pecado de outrora e agora tinham os olhos voltados para o mau humor do tempo. Comumente um
raio qualquer despencava serpenteando o céu, atiçando aves, torrando vacas, maltratando árvores ou seres humanos.

Dias temerosos se passaram desde o desaparecimento da jovem Anette. A família simples rezava para os céus pedindo que lograsse a filha dos aproveitadores de criancinhas, dos cafetões e outras feras da natureza. Mas dessa vez era inevitável o destino arrebatador de Jurema Matungo. O povo associou logicamente, como dois e dois são quatro, e três vezes dois são seis que a velha parteira, mãe postiça de Jurema Matungo, era a seqüestradora de Anette. Novamente, depois de quase quinze anos passados, uma nova comitiva foi elaborada desta vez por Anton com intuito único de sangrar a bruxa das araucárias e resgatar sua irmã perdida. Na quarta hora da manhã iniciaram os preparativos. Ao nascer do sol lançaram polenta e carne numa chapa chamuscada com uma mistura duvidosa de temperos e comeram com violência. O povoado emprestara a Anton seus melhores homens. Quatro caçadores sendo um do Goullart conhecido como “Pirulá”. Este era seco de carne, porte de gladiador, madrugador e amigo da caça. Diziam as línguas soltas que havia enfrentado um gritador e que o havia deixado sua marca na orelha direita decepada. Os outros
três não tinham feitos dignos de notas, porém a coragem lhes era companheira.

O povo despediu-se como se ali nascesse uma nova cruzada. Lançaram fogos no céu com fúria e obrigaram o padre a proferir alguns vocábulos em latim. Algumas assanhadas sorriram e finalmente a comitiva penetrou num caminho invisível da floresta de araucária. Anton seguiu na frente abrindo picada com determinação seguido por Pirulá e os outros. O caminho estava totalmente fechado por pragas, tarântulas e cobras peçonhentas. No meio da escuridão e umidade da floresta sentiram um odor terrível que ficava mais intenso quando avançavam.
Diante da velha tapera cada homem sentiu que o coração lhe arrebentaria o peito quando notaram o cadáver decrépito da parteira sentada numa cadeira de balanço na solitária varanda aos pedaços. O silêncio imperou até o instante em que dois bugres emergiram das janelas aos gritos. Estavam nus e suas vergonhas dançavam alegremente pelo movimento frenético dos quadris. Pirulá ameaçou segui-los, mas Anton o
desencorajou. Temos outros negócios, assinalou, Revirem a casa enquanto eu procuro nas redondezas.

Uns poucos passos adiante do casebre Anton chegou a um riacho e viu a coisa mais surpreendente do mundo: uma jovem de cabelos dourados, ombros retos e corpo cheio de curvas que refletiam uma beleza perturbadora. Banhava-se no riacho e vestia uns panos transparentes que a deixavam ainda mais nua. Ao notar que seu corpo era policiado por olhos de cão faminto saiu da água e seguiu em direção à vítima. Deixe-me em paz, declarou chegando tão perto que era possível sentir seu hálito virginal. Não posso, murmurou Anton como pôde. Fui puta rameira dos cabarés da capital. Muitos homens por mim perderam o juízo e o pinto. Então se não me deixar em paz rogarei uma praga tão obstinada que mulher alguma conseguirá animá-lo. Não ligo, replicou, vim pela minha irmã roubada. Sentia que o tempo havia parado, os sentidos falhavam, mentiam, aplicavam peças faziam-no um homenzinho de fraudas, indefeso. Jurema cerrou os olhos e lançou-lhe um olhar perverso que o deixou em estado crepuscular. Nós colhemos o que plantamos, a sua irmãzinha esfregou tanto o bicho d’água na terra que acabou numa orgia de bugres mata à dentro. E você está aqui, diante da filha postiça da parteira rejeitada.

Anton sentiu o coração acelerar tanto que era possível ver os pássaros se debatendo no ar, cervos pulando espavoridos, o vento frio cortando o ar, e se viu gritando, pedindo socorro aos amigos, chorando como um bebê, e viu sua amada sendo levada aos gritos como um animal que hesita a jaula, um pobre diabo que teme a cruz, e viu sua irmã saciando a fome voraz dos bugres cujas vergonhas balançavam alegremente, e viu seu pai furioso preparando um estrado de madeira, viu todas as pessoas do mundo com tochas na mão, viu sua amada Jurema Matungo definhando no estrado lamuriando e uivando de dor, invocando seus demônios com suas vozes de terror, de alegria, de safadeza, de sofrimento, de satisfação, e viu as araucárias sendo derrubadas como peças de dominós por caranguejos cujas entranhas haviam homens, viu um dragão de ferro gigante que andava por uma linha num barulho e fumaraça infernal, e viu o povo sofrendo, lutando, viu homens santos e homens embusteiros e viu a escolha
que haveria de selar o destino de Jurema para sempre.

Ela permaneceu a mesma, quase transparente em curvas realçadas pelos trapos que vestia. Por fim mediu-o, acariciou-lhe o peito de penugem crespa, agarrou-o como um lobo faminto e o depenou das vestes como um passarinho.

Fim

 

Texto “A saga da família Drissen” por Diego Rogério Goetten;

A história da família Drissen, cujo nome originariamente grafava-se Driessen, começa com a vinda do patriarca da família para o Brasil, o holandês Felipe Driessen, que deixou a Holanda após a morte de sua esposa Sophia Cabeljau, para tentar recomeçar sua vida no Brasil.

Felipe embarcou num navio tocado a vapor, que partiu da Alemanha, junto de seus quatro filhos, Carlos, Pedro, Emilia e Frederica, no entanto, seus planos de começar vida nova não se concretizaram, pois ele adoeceu durante a viagem, e a moléstia, provavelmente Tifo ou Febre Amarela, tirou sua vida ainda no navio, de onde seu corpo foi lançado ao mar, deixando seus quatro filhos lançados à sorte.

As quatro crianças chegaram ao porto de Santos-SP sob cuidados de outras pessoas que se sensibilizaram com sua condição, os fazendo tomar rumos diferentes, Carlos e Emilia foram criados em Curitiba-PR, Frederica foi para Rosário, na Argentina, e Pedro foi para a cidade de Campos Novos-SC, onde foi criado pela família do Coronel Henrique Rupp, com quem cresceu e aprendeu o ofício de tropeiro, atividade que exerceu até idade adulta.

O tropeiro Pedro Drissen comprava gado no Rio Grande do Sul e revendia no Paraná, costumando descansar a meio caminho da viagem, na localidade de Corisco, mais especificamente na casa do comerciante João Granemann, onde resolveu vir morar em 1865, começando a saga dos Drissen em Santa Cecília.

 

 

 

Em 1871 Pedro casou-se com Ana Granemann, filha do comerciante João Granemann, com quem teve 11 filhos, Luiza (falecida aos 04 anos), Augusto, Maria, Luiza, Pedro, Luiz, Amélia, Helena, Julia, Alfredo e Emílio. No mesmo período em que se casou, Pedro Drissen comprou uma área de terras de cem milhões de metros quadrados denominada “Fazenda da Ilha”, o berço da história dos Drissen em Santa Cecília e região.

Esta propriedade foi herdada pelo décimo filho de Pedro, Alfredo Drissen, que, tão valoroso quanto seus irmãos e irmãs, acabou por ser um das figuras mais importantes na história da família. Fazendeiro, empresário e político, o visionário Alfredo Drissen foi vereador e prefeito de Curitibanos, tendo pautado sua vida no ideal dos valores trazidos por sua família, de quem ajudou a disseminar e perpetuar o nome, através da geração de seus descendentes, aqui residentes ou não, e do exemplo de vida e trabalho que o fez um digno representante de uma das famílias que mais contribuíram e ainda se fazem presentes na construção da história de Santa Cecília, os Drissen.   

Fim

 

 

Trecho da Trova “Irmã Irene 50 anos”, por Izabel Moreira dos Santos:

Amigos me deem licença
Que uma história eu quero contar
Sou um humilde trovador
E esta chance não deixo passar

Eu peço muita paciência
Pra ouvir essa história de amor
Amor pela imaginação
Pelo conhecimento e pela educação...

Isso tudo aconteceu
 Há muitos anos atrás
No nosso recém município
Este sonho teve seu inicio
 Escola Mista estadual
Ninguém imaginou
Que seria uma idéia tão genial

Numa época distante
Há cinqüenta nos atrás
Professor era jóia rara
Contratado e pago pelos pais

Seus nomes nesta história ficam gravados
A professora Dejanira Goetten deixou aqui o seu legado
As letras e os números chegaram neste lugar
E o povo ia sendo alfabetizado
Pelo professor José Baltazar...

Muitas personalidades coloridas
Cancianila Arbegaus – Julieta Furtado
Semearam sementes produtivas
E transmitiram o seu recado

 

 

 

Olandina e Vicente Alves da Silva vieram
Tinham informações a repassar
Boas obras eles fizeram
Pra esta escola assim frutificar

Alguns nomes a escola ganhou
Foi desdobrada – e também tresdobrada
No clube 1º de janeiro ela estava instalada
2ª a 4ª série um jovem professor assumiu
Começou uma nova era, nesta escola do Brasil

Seu nome hoje é lembrado
Com muito carinho e respeito
José Ribeiro Tomaz desenhou
Essa etapa com muito jeito
Suas ideias o povo apoiou
Conseguiu deixar o seu nome registrado

 

 

 

Enfim, Grupo Escolar
Para a Irmã Irene homenagear
Como diretor agora
Jose Ribeiro vai estar
Era 1959 - uma boa hora
Para esse Grupo Escolar se firmar

1961 – muitos alunos se matricularam
As Irmãs do Sion este educandário renovaram
Irmã Evangelina e Vera  Maria
Irmã Branca e Madre Maria Malvita
Presentearam Santa Cecilia
Com esta trajetória  tão bonita

 

 

 

Outros nomes importantes
Passaram pela direção
Essa percurso empolgante
Gerou muita agitação

Os nomes que  eu vou dizer
Vale mesmo a pena lembrar
Fizeram a escola crescer
Vieram pra acrescentar

Amália de Souza Pizzani
Selba Picolotto
Sueli Passos Moraes
Jandira Granemann


Esta mulheres muito fizeram pela educação
Traçaram muitos projetos
A escola estava em boas mãos
Fizeram um bom progresso

Em 1972 – Era ESCOLA BASICA IRMA IRENE
Houve a implantação do 1º grau
Uma evolução perene
Que firmou este projeto magistral

 

 

 

Neste ano o seu José Ribeiro Tomaz
A direção retornou
Durante quatro anos a mais
Seus sonhos realizou

Era 1982 -
A Irmã Marcela o substituiu
E a seus projetos deu continuação
Santa Cecília do céu assistiu
E abençoou este trabalho com suas mãos

 

 

 

Em 1983 – o ensino estava a todo vapor
Seu José Poffo agora
Era o novo diretor
Um novo sorriso a cada aurora
Foi um feliz condutor

A cada saída na rua
Mais alunos ele trazia
A escola assim continua
Uma fazse de harmonia

Metade de 89
Evelina Lucas na direção
Fez com certeza um bom trabalho
Fez muito pela educação

De 89 a 90
Veio seu nome registrar
Lulo Miro Felski Agostini
Como diretor veio trabalhar
Muitas turmas que aqui passaram
Ele ajudou a formar

De 90 a 98
A direção muda de novo
E a Irmã Terezinha pilão
Caiu nas graças desse povo
O nome dessa mulher carregamos no coração

Sua serenidade é nossa lembrança
Vamos – vamos – vamos- está
Ela nos transmitia confiança
O sininho ela tocava
Suas ovelhas em sala ela recolhia
Fazia isso diariamente com muita calma e  alegria...

 

 

 

De 99 a 2002
Assume José Francisco Dalzotto
E Lisete Sara de Medeiros Viana
Foi um tempo de construção
Os dois trabalharam bastante
Sempre com muita disposição

O diretor Dalzotto esta área cobriu
Isso foi um grande projeto
Que esta platéia assistiu

De 2003 a 2009
Um nome ainda não mencionado
Silvana Balansin Padilha
É claro que esse nome seria lembrado
Desta escola uma boa filha
Ela fez de tudo um pouco
Aluna – adjunta – professora
E hoje ela continua como diretora
Com a Vera Valiati Carraro como sua assessora

Essas duas muito trabalham
Pra essa escola evoluir
Um refeitório ganharam
Foi só o povo aplaudir

Esta história não vai ficar
Apenas nos diretores
Tenho guardado no peito
 Muitos outros valores

Quem nunca ouviu falar
Da Dona Benta – do Silvestre
Que  a seus filhos puderam olhar
Todos os outros funcionários
Com anos de dedicação
Os de outrora e os de agora
Guardamos no coração

 

 

 

Com muitas destas lembranças
Vocês vão se divertir
Alguns pra não chorar
Com certeza vão sorrir

Todos vocês amigos presentes
Estão aqui para relembrar
Que aqui nesta escola
Vocês vinham estudar

E a nossa Santa Cecília querida
Os nossos agradecimentos
Porque durante nossa vida
Transmitimos nossos conhecimentos

Santa Cecília foi marcada
Por grandes festas juninas
Sempre foram lindas as quadrilhas
E também as sinhazinhas...

Os desfiles de 7 de setembro
As ruas sempre lotaram
Eram temáticas fortes eu bem lembro
Que ao povo sempre encantaram

A escola Irmã Irene é destaque estadual
Somos muito respeitados nesta regional
Fazemos tudo com amor
Em Novo Amburgo e em Brasília
Mostramos nosso valor

Na feira internacional

Esta escola faz sempre muitas experiências
As áreas de química e biologia
Ganharam um laboratório de ciências
Para gastar suas energias

Agora eu quero dizer bem alto
Prestem muita atenção
Essa escola deu muitos saltos
Pra engrandecer essa nação

Esta é a porta de entrada
Para conquistar sucesso
A escola é a escada
Que traz ordem e progresso

Aqui muitos de vocês
Chegaram para o  pré-escolar
Estudaram aqui 12 anos
E fizeram vestibular

Essa é a segunda casa
Da maioria de nós
Nestes cinqüenta anos
Não calaríamos a nossa voz

Esta é uma homenagem
Feita com muito carinho
Na caminhada educacional
Encontramos flores e espinhos

Mas hoje temos certeza
De que valeu muito a pena
Vamos pra casa com leveza
E a alma muito serena

Conseguimos atingir a todos
Com as flechas da emoção
Em Santa Cecília o povo
Carrega o Irmã Irene no coração

A  vocês cecilienses o nosso agradecimento
Nesse meio século de história
Tivemos grandes momentos
E levaremos na memória
Esses seus olhares atentos
Retratando a nossa glória...

fim

 

Texto “A saga da família Goetten” por Diego Rogério Goetten;

Não existem dados concretos sobre a data exata de chegada dos imigrantes europeus na localidade de Povinho (atual Santa Cecília), mas existem traços históricos e alguns documentos que indicam que o primeiro imigrante a chegar nestas terras foi Adam Gueten, que, já no Brasil, teve a grafia de seu sobrenome alterada para Adão Götten, e depois Adão Goetten.

Há livros de história de Santa Catarina que dão conta que Adão Goetten teria chegado onde hoje é Santa Cecília ainda no ano em que veio para o Brasil, em 1829, portanto quase 20 anos antes das demais famílias, que, segundo dados históricos, só teriam aqui chegado por volta 1855, no entanto existem informações divergentes quanto à data, o que nos permite concluir que Adão recebeu sua cota de terras entre os anos de 1829 e 1840, quando foi instruído a viajar para o sul e instalar-se na região compreendida entre o Rio das Pedras e o Rio Tamanduá, subindo a Serra Geral (do Espigão).

 

 

 

Além do fato de ter nascido em Trier, na Alemanha, no ano de 1814, e morrido em Curitibanos, em 31 de dezembro de 1889, pouco mais se sabe sobre a vida de Adão. Relatos indicam que foi um homem que trabalhou suas posses e se tornou um bem sucedido fazendeiro, um homem bravo, caprichoso, hospitaleiro, apreciador de uma boa bebida e de festas, que foi casado com Ana Barbara Roth, com quem teve onze filhos, José, Francisco Adão, Maria, Mathias Adão, Mathias, Anna, João, Felipe, Pedro, Nicolau e Miguel, dos quais os seis primeiro nasceram em Santa Cecília, e os demais na região de Curitibanos. Todos esse onze filhos ajudaram a espalhar o nome Goetten por Santa Cecília, Curitibanos, Ponte Alta do Norte, Rio do Campo, São Cristóvão e Taió, sendo que hoje o nome Goetten já se espalha por várias partes do Brasil.

Uma das figuras que melhor simbolizam a importância histórica dos Goetten para Santa Cecília e para o Brasil é João Goetten Sobrinho, que hoje empresta seu nome à rua da Prefeitura Municipal. Filho de Mathias Goetten, e neto de Adão, ele nasceu em 25 de março de 1866 onde hoje é Santa Cecília, e faleceu também aqui, em 17 de julho de 1933, e é sem dúvida a figura mais ativa da participação ceciliense na Guerra do Contestado e nome chave na história de Santa Cecília, onde exerceu suas atividades mercantis com forte expressão.

Assim como ele, a família Goetten foi sempre composta por pessoas preocupadas em bem viver, com base nos valores do bem comum, da cooperação e do amor à sua terra natal no Brasil, Santa Cecília, onde o pioneiro Adão Goetten deu o primeiro passo para sua construção, e para a perpetuação de um nome que já conta com nove gerações no Brasil, os Goetten.

 

Em breve mais referências culturais.

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